O Brasil também planeja a sua superestrada da informação. Os planos não são tão ambiciosos como os norte-americanos, de interagir TV e computador num mesmo sistema com capacidade de aliar inúmeros serviços. Mas, adequando-o à realidade brasileira atual, o Ministério da Ciência e Tecnologia está definindo os últimos passos para ampliar o uso da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Originalmente voltada para a comunidade científica e acadêmica, a RNP manterá sua atual estrutura de não permitir o uso comercial da rede, mas se abrirá para empresas e profissionais liberais poderem participar de um correio eletrônico nacional e internacional e terem acesso à base de dados brasileira e no exterior, com o objetivo de aprimorar conhecimentos e trocar tecnologias. O projeto está sendo batizado de "Televias para Educação", num trabalho conjunto entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e os Ministério das Comunicações, Educação e Cultura. Hoje o acesso à RNP por linha discada (com o modem ligando o computador ao telefone), o usuário só paga o pulso de seu endereço ao ponto mais próximo de interconexão da rede. A partir daí, caso o usuário ligue para o Sul ou o Nordeste, nos EUA ou na Ásia, os custos com a chamada internacional ficam por conta da RNP (os governos estaduais e o Ministério da Ciência e Tecnologia dividem os custos). O que o ministério está acertando com o Ministério das Comunicações é a redução substancial desta tarifa, para permitir a ampliação do uso da rede fora da comunidade científica. Decisão nesta linha deve ser anunciada em breve. Tadeo Takahashi, coordenador da RNP, prevê que já em 1995 mais de duas mil empresas e escolas deverão ter aderido ao uso da rede, ao lado dos 20 mil atuais adeptos entre professores, alunos universitários, pesquisadores e membros das organizações não-governamentais (ONGs). Uma ONG bem conhecida, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), no Rio de Janeiro (RJ), presidido pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, líder da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, fornece hoje acesso à RNP e à Internet e às inúmeras redes ligadas a ela, através da sua AlterNex. Em princípio, qualquer interessado pode se credenciar no IBASE e receber o código de acesso à rede, o chamado endereço eletrônico. Basta pagar 10 URV (Unidade Real de Valor) de inscrição e depois 10 URV mensais. Na comunicação via computador, o usuário só paga o pulso de acesso ao IBASE. Na semana passada, duas novas comunidades foram credenciadas para ter acesso à RNP e às redes internacionais. Uma delas foi a formada pelos criadores de software, através do programa Softex-2000, voltado para estimular a exportação de programas de computador. Outras foram empresas, através do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Trata-se do projeto Antares. Gilda Massari, do INT, conta que dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT) foram montados 60 postos de atendimento em todo país, onde empresas interessadas, utilizando os computadores dos postos podem ter acesso a inúmeras bases de dados nacionais sobre Agricultura, Ciência e Saúde, Engenharia, Economia, Política Científica e Tecnológica, além de dados sobre importação e exportação de diversos produtos, fabricantes de equipamentos, fornecedores de matérias-primas, novos produtos, tendências de mercado, tecnologias disponíveis, rotas de produção. Nas Televias para Educação, da RNP, o coordenador Tadao Takahashi explica que as empresas com acesso on line poderão promover conferências eletrônicas, ter acesso a grandes centros de supercomputação, como já é feito hoje pela comunidade científica no segmento de biologia molecular. O sequenciamento genético precisa de poderosos computadores para realizar os cálculos, o que pode ser feito à distância. Em julho começa a primeira turma piloto do CATS (Curso de Computação Avançada em Tecnologia de Software), realizado todo via rede, com apenas uma semana de aulas no meio convencional. A filosofia de ensino à distância pretende ser ampliada às escolas de segundo grau. Outro projeto em andamento é a Clínica de Línguas, com aulas de português, inglês, francês e espanhol. O primeiro curso será de português, ensinando, pela rede, usuários, a escrever. Os alunos farão composições que serão enviadas por rede e corrigidas por professores recrutados especialmente para isso (GM).