Os três maiores institutos de pesquisas do país-- o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas)-- vivem hoje a pior crise financeira de sua história. Salários baixos, evasão de técnicos qualificados, cortes nas pesquisas e até dificuldades em manter as suas próprias instalações: o diagnóstico é comum aos três. O cotidiano destes institutos mostra que a inflação e a crise brasileira foram implacáveis e não pouparam nem mesmo aqueles que, nos últimos anos, ganharam fama e prestígio com o ofício de apurar o custo de vida da população. No IBGE, a evasão de técnicos é tão assustadoras que, se for mantido o ritmo atual, dentro de quatro anos o instituto não terá mais um profissional de nível universitário. No IPEA, a situação é parecida: a estimativa é de que, nos próximos dois anos, 80% do pessoal da casa estarão aposentados, licenciados ou cedidos a outros órgãos. Hoje, o percentual é de 55%. Na FGV, que este ano comomora o seu cinqu"entenário, o orçamento vem encolhendo a olhos vistos. De US$14 milhões de verbas federais em 1990, a cifra despencou para US$5,5 milhões no ano passado. Este ano, a fundação ainda não viu a cor do dinheiro procedente de Brasília. Mesmo que a verba prevista no Orçamento da União seja liberada agora, equivaleria apenas a US$3 milhões, pouco mais da metade do que foi autorizado em 1993. No IBGE, um técnico de nível superior ganha hoje um terço do que ganhava em 1987, quando o salário era de US$4 mil. No nível médio, o quadro é mais dramático: o salário, em dólar, hoje, é a quinta parte do que era há sete anos. No IPEA, os diretores ganham pouco mais de US$1 mil. Na FGV, a escassez de verbas federais obrigou a instituição a sacar US$7 milhões do seu fundo patrimonial. Outra solução foi fazer convênios com empresas para reformar salas de aula. O prejuízo nas estatísticas do IBGE foram: -- O censo demográfico de 1990 foi adiado para 1991. -- Não foram calculadas as taxas de desemprego em junho e julho de 1993 por causa de greve. -- O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de agosto de 1991 foi repetido em setembro (15,62%) porque não houve coleta devido à greve. -- O último censo econômico é de 1985. Deveria ter sido feito novamente em 1990, mas faltaram recursos. -- Em 1990, o IBGE fazia 86 pesquisas; hoje são 14. Deixaram de ser coletados dados da indústria pesqueira, atividade cultural, registro civil, entre outros. -- A última Pesquisa de Orçamento Familiar foi realizada em 1987. De lá para cá, com a crise, o perfil de consumo do brasileiro mudou muito, mas por falta de pesquisa não é possível rever os pesos dos produtos nos índices de inflação (JB).