ENCONTRO DISCUTE A LEGALIZAÇÃO DA PROSTITUIÇÃO

Prostitutas de todo o país querem mudar o código penal e regulamentar a profissão. Elas estão reunidas desde ontem, no Rio de Janeiro (RJ), no terceiro encontro nacional da categoria. O atual Código Penal, de 1940, não considera crise a prostituição em si, mas sua exploração. É o cime de lenocínio, a manutenção de casa de prostituição ou "lugar para encontros libidinosos", com ou sem fins lucrativos. É importante que as prostitutas tenha sua profissão, assinem a carteira
80135 profissional como prostitutas, diz Gabriela Silva Leite, 43 anos, coordenadora da Rede Nacional de Prostitutas e do Davida, o grupo que organizou o encontro. A proposta do encontro é a chamada auto- determinação da prostituta. "Queremos assumir a prostituição como profissão que exercemos por sobrevivência ou por prazer", diz. As prostitutas brasileiras querem a descriminalização do lenocídio, como já existe na Holanda e no estado norte-americano de Nevada. Saúde e prostituição infantil serão outros assuntos abordados no encontro. "Somos contra a prostituição infantil, assim como somos contra ver uma criança vendendo amendoim ou trabalhando em supermercado", diz Edda Mastrangelo, do Davida. Para ela, a ofensiva à prostituição infantil é um reflexo do preconceito contra a profissão. "A criança só deve estudar e brincar, sem trabalhar, até ter maturidade para escolher uma profissão, seja de prostituta ou bancária", afirma. Mais de 100 prostitutas, travestis e michês-- garotos de programa-- participam do encontro (FSP).