DEPÓSITO ESPECIAL PARA CÉSIO-137 NÃO FOI CONSTRUÍDO

Sete anos depois do acidente nuclear em Goiânia (GO), ainda não foi construído o depósito especial para armazenar os rejeitos da cápsula de césio-137 que contaminou 67 pessoas. O material que provocou o segundo maior acidente nuclear do mundo continua no depósito improvisado em Abadia, embora esteja vencido, há 44 meses, o prazo de segurança para sua utilização. Tambores carregados de material radioativo estão empilhados, ao ar livre, numa área de 22 metros quadrados, sem proteção contra os efeitos das chuvas e do sol. Além disso, confirma-se a previsão feita em 1987 de que, passados cinco anos do acidente com o césio-137, aumentaria a lista de vítimas fatais contaminadas pela radioatividade. No último dia 14 morreu em Goiânia a faxineira Maria das Graças Vieira, de câncer na mama, terceira baixa em seis meses. A primeira foi Aristides Neto, morto em novembro último, de câncer na faringe. A lista inclui ainda o dono do ferro-velho onde foi encontrada a cápsula de césio, Devair Borges, o único que aparentemente não desenvolveu algum tipo de câncer. Ele morreu há 10 dias, de insuficiência renal. A presidente da Associação das Vítimas do Césio, Terezinha Fabiano, atribui as mortes de Maria e Aristides aos efeitos do césio, vinculação refutada pelas autoridades públicas. Os três donos da clínica e o técnico, responsáveis pelo abandono da cápsula de césio-137, foram condenados em 1992 a penas de três anos de prisão, transformada em prestação de serviços comunitários. Os quatro recorreram da sentença e até hoje continuam impunes (JB).