EMBARGO TOTAL CONTRA O HAITI

Entrou em vigor nas primeiras horas de ontem o embargo comercial total contra o Haiti, aprovado no último dia seis pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para tentar mais uma vez forçar os militares golpistas deste país a devolverem o poder ao presidente eleito e por eles deposto, Jean-Bertrand Aristide. Desde a meia-noite (hora local), está suspenso todo o comércio de bens e serviços com o país. O ingresso de produtos fica limitado a alimentos e remédios. A nova medida é uma ampliação do embargo de armas e petróleo imposto pela ONU em junho do ano passado. Em outubro de 1991, logo depois da deposição de Aristide, a Organização dos Estados Americanos (OEA) já decretara um embargo comercial contra o país. As sanções custaram cerca de 200 mil empregos ao Haiti, cujo índice de desemprego já chega perto de 70%. O país tem sete milhões de habitantes. A extensão do embargo implica o desaparecimento de milhares de postos de trabalho. Segundo organizações humanitárias, 10 mil pessoas já morreram por causa das sanções. A fronteira do Haiti com a República Dominicana é o ponto mais vulnerável do embargo decretado pela ONU contra Porto Príncipe. Ontem, nesta região fronteiriça, o embargo era solenemente ignorado. Milhares de litros de gasolina e diesel ingressaram no Haiti. O presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto em 30 de setembro de 1991 e desde então o governo dos EUA, de forma independente ou no âmbito da ONU e da OEA, vem defendendo sua reinstalação no poder (O Globo).