O PMDB homologou ontem, em Brasília (DF), o nome do ex-governador Orestes Quércia como candidato do partido à Presidência da República e o de Íris de Araújo Rezende, mulher do ex-governador do Goiás Íris Rezende, para vice. Como haviam prometido, os integrantes da bancada gaúcha e o senador José Sarney (PMDB-AP) não compareceram à convenção. Em seu discurso, Quércia elegeu o candidato do PSDB, senador Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real e o sistema financeiro como alvos preferenciais de sua campanha. Afirmou que a candidatura de Cardoso é um estelionato eleitoral e fruto das elites e dos oligopólios. Quércia assegurou que não está preocupado com a denúncia do Ministério Público contra ele no caso Israel-- em que é acusado de estelionato. Quando saí do governo de São Paulo, fizeram uma série de acusações
80113 contra mim, argumentou, alegando que houve investigação e as denúncias não foram provadas. "Desta vez não vai ser diferente", afirmou. O candidato do PMDB prometeu que vai combater a inflação com desenvolvimento econômico. Ele defendeu a municipalização das ações de saúde, educação e moradia popular e se comprometeu com o fim da desigualdade regional. Estabeleceu como diretriz a geração de empregos e o apoio a pequenas e médias empresas. Segundo Quércia, seu programa de governo prevê incentivo ao capital privado nacional e estrangeiro, bem como política industrial com mecanismos de proteção à indústria brasileira. Apoio ao MERCOSUL também é um dos pontos de sua plataforma de governo. O programa também inclui a promessa de grandes obras, entre as quais estão incluídas a ligação da Região Norte ao Oceano Pacífico e a construção de um complexo viário (ferroviário, rodoviário e hidroviário). Sua proposta prevê ainda a execução de reforma agrária, com incentivo ao cooperativismo. Para a política agrícola, o candidato acena com mecanismos de proteção aos produtores, garantia de preço mínimo, seguro rural e acesso ao crédito. Íris Araújo Rezende afirmou que embora nunca tenha ocupado cargo público, está preparada para assumir a Presidência eventualmente. Segundo ela, prática política não é resultado apenas do exercício de cargos. Evangélica, Íris admitiu que sua opção religiosa poderá atrair o voto do segmento ao qual pertence (O ESP).