O 5o. Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) terminou ontem, em São Paulo (SP), com uma clara resolução: não haverá, por parte da central, apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do país. Foi feito um acordo com todas as correntes, exceto com a trotskista "Causa Operária" (menos de 1% dos 1.918 delegados presentes), de aprovação do texto base proposto pela executiva da central. Ele prevê que "cada dirigente sindical deve se envolver como cidadão nessa disputa (eleitoral), participando da campanha, organizando comitês dos seus candidatos nos locais de trabalho". O Congresso aprovou, no entanto, um manifesto/abaixo-assinado, que afirma que os delegados do Congresso da CUT apóiam Lula. Apesar de não ter aprovado o apoio formal a Lula, o 5o. Congresso da CUT, que começou no dia 19, mostrou que a quase totalidade dos integrantes da central vai se esforçar para elegê-lo. Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, foi explícito em seu discurso de posse como novo presidente da central, em substituição a Jair Meneguelli: "Vamos trabalhar para eleger o Lula presidente. Essa é uma responsabilidade que todos vocês têm enquanto representantes dos trabalhadores". Em seu discurso, Lula garantiu que, se eleito, os sindicalistas decidirão sobre a distribuição de verbas orçamentárias. "No meu governo, a classe trabalhadora será o centro das decisões. Vai interferir diretamente nas políticas governamentais para crescimento do país e geração de emprego", prometeu. As principais decisões tiradas no 5o. Congresso Nacional foram: 1) Greve geral contra o programa econômico do governo. Não foi marcada data. 2) A CUT não dará, enquanto entidade, apoio político formal nem financeiro a Lula. 3) Participação nas câmaras setoriais, MERCOSUL e organismos tripartites (governo, empresários e trabalhadores) de gestão. 4) Fim da unicidade sindical (possibilidade de ter mais de um sindicato na mesma base). 5) Uniformização da ajuda de custo a dirigentes sindicais da CUT. A proposta de acabar com a ajuda de custo foi derrubada. 6) Fim da autonomia política e financeira das regionais da CUT. 7) Aumento das contribuições dos sindicatos à CUT de 5% do faturamento hoje para 8% em 1995, 9% em 1996 e 10% em 1997. 8) Criação de uma comissão de ética. O último dia do congresso foi reservado quase que inteiramente a assuntos políticos e a composição da chapa única. A direção executiva, de 25 membros efetivos, terá 14 dirigentes da "Articulação", que é a facção mais moderada, da qual Vicentinho faz parte. Os demais cargos ficaram para as esquerdas mais radicais: quatro para a "Corrente Sindical Classista", dois para "CUT pela Base", e dois para o PST-U. "O Trabalho", tendência marxista, e "Força Socialista" ficaram com um cargo cada uma. Vicentinho vai dirigir a CUT com uma novidade no estatuto: a criação da comissão de ética, com poderes de recusar filiações ou desfilar entidades. "Mostramos assim para a sociedade que o movimento sindical se preocupa com a ética", afirmou o sindicalista (FSP) (O ESP) (O Globo).