Depois das doenças do coração, a violência é hoje a maior causa de mortalidade dos brasileiros, superando o câncer, a AIDS e outras doenças de caráter epidêmico. Ela está sendo vista como caso de saúde pública pelos pesquisadores do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). É o que demonstra o estudo da antropóloga Cecília Minayo, coordenadora do Claves, e da epidemiologista Ednilsa Ramos. De 1980 a 1989, 820.307 brasileiros, em todas as faixas etárias, foram vítimas de assassinatos, suicídios, envenenamento, extermínio e outras causas similares. Na avaliação das pesquisadoras, os anos 80-- considerados pelos economistas como a década perdida-- podem ser chamados também de a década da morte. O estudo será apresentado em congressos internacionais sobre o assunto. Segundo Cecília, 65% dessas mortes são atribuídas ao que ela chama de violência estrutural. Ou seja: as desigualdades sociais, a má distribuição de renda e a falta de moradias, entre outros. O estudo mostra ainda que, proporcionalmente, a Região Sudeste é responsável por 57% de todas as mortes, seguida da Nordeste (17,3%) e 25% distribuídos entre as demais regiões. Ocorre que a miséria nestas áreas está associada à violência, segundo as pesquisadoras (O ESP).