Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, de 38 anos, assume hoje a presidência da Central Única dos Trabalhdores (CUT) com disposição para negociar. De perfil mais "maleável", segundo sindicalistas, do que o ex- presidente da central, Jair Meneguelli, Vicentinho tem carta branca para o diálogo junto a setores do empresariado e a dirigentes de outras centrais sindicais. "Neste momento eu acho que é possível extrair até de outros partidos-- não só do PT, ao qual sou filiado--, do governo e do movimento sindical, pessoas sérias para buscar uma caminhada rumo à cidadania e a melhores condições de vida", diz o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD paulista. Defensor das câmaras setoriais, das quais participou desde o início, Vicentinho vai ajudar na construção de um pacto social, mas só com seu companheiro Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República. Com o governo Lula nós temos a possibilidade de acreditar no futuro do
80100 Brasil. Os empresários devem se preparar para essa nova etapa, porque é
80100 importante definir metas, ter seriedade, disse Vicentinho. No caso da eleição de outro candidato à Presidência da República, um entendimento social seria, se não impossível, no mínimo não tão imediato. "Ele teria antes de ganhar a confiança da sociedade", afirmou. O novo presidente da CUT representa um contingente de quatro milhões de trabalhadores. Seu caixa é de aproximadamente US$340 mil mensais. São 2.235 sindicatos urbanos e 740 rurais. Vicentinho ganha o salário de operário da Mercedes Benz, aproximadamente 1.020 Unidades Reais de Valor (URVs), pagos pela CUT. Sua mulher, Roseli, leciona em três períodos numa escola secundária estadual da periferia de São Paulo, e o casal frequ"enta as reuniões da Pastoral Operária de São Bernardo do Campo. Ele pertence a uma nova geração de sindicalistas, importante para o país
80100 porque orienta o movimento no sentido da negociação e do diálogo antes da
80100 briga, diz seu principal adversário, o presidente da Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen), Pierre-Alain de Smedt. "É um líder moderno e bem-informado, que viajou muito pelo mundo e conhece países como EUA, Alemanha e Japão", elogia (FSP) (JB).