A SIDERURGIA NO MERCOSUL

As siderúrgicas do Brasil e da Argentina estão se antecipando aos governos e poderão fazer a integração dos mercados antes do fim dos acertos entre os dois países. Totalmente privatizada e em fase de reestruturação, a siderurgia dos dois países inicia um processo de divisão do trabalho entre as empresas, para ganhar escala de mercado e evitar superposição na produção dos mesmos itens. As associações entre as usinas já começaram e visam, de maneira geral, refazer a divisão do trabalho entre as empresas do setor. O presidente da segunda maior siderúrgica da Argentina-- Acindar--, Carlos Leone, acredita em "acordos comerciais que derrubem as barreiras existentes em ambos os governos". Sua empresa acertou, há um mês, com a Acesita, um contrato de troca de mercadorias no valor de US$30 milhões, que aproveita a margem de 82% de preferência em vigor entre os países do MERCOSUL. A linha de produção de cada uma das empresas, dessa forma, passa a ser complementar-- a Acesita vende aços para a construção civil e a Acindar fornece ligas com chumbo e carbono. O diretor-técnico do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Rudolf Bu"hler, atribui esse movimento à busca de competitividade das empresas, que se desenvolveram nos dois países em mercados protegidos e, agora, procuram a especialização como forma de melhorar o desempenho e garantir suas vendas internas (JC).