DEMOCRACIA SOBREVIVE NA AMÉRICA LATINA

A democracia continuou a avançar nos países da América Latina em 1993, apesar das dificuldades econômicas e sociais. A opinião é do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIEE), de Londres (Inglaterra), que acaba de publicar seu relatório anual. Com o título "América Latina Segue em Luta", o IIEE analisa com otimismo prudente as perspectivas da região. O informe destaca que as tensões sociais provocadas pelo descontentamento com os representantes políticos ou por problemas de redistribuição da riqueza constituem "sinais que convidam à prudência" e frisam a "fragilidade" das instituições civis. A aplicação da política econômica neoliberais marca a região, opina o IIEE, e vários países se defrontam com problemas de corrupção, explosões sociais e um ressurgimento da guerrilha. "Estes acontecimentos negativos foram contrabalançados por eleições pacíficas, uma intensificação dos investimentos estrangeiros, o desenvolvimento de laços comerciais regionais e a ratificação do tratado de livre comércio (NAFTA) entre EUA, Canadá e México", diz o relatório. A luta antidroga esteve marcada por uma mudança na política norte- americana, mais voltada agora para o combate à demanda. Além disso, em dezembro de 1993 as forças colombianas conseguiram localizar e matar Pablo Escobar, líder do Cartel de Medelín. Escândalos de corrupção minaram a situação política no Brasil, Venezuela e Guatemala, diz o IIEE. Nos dois primeiros, levaram ao afastamento dos presidentes. Outro problema grave foi o "ressurgimento de atos de violência das guerrilhas do México, Nicarágua e Peru e em grande parte da América Central". Segundo o instituto, "refletiram as dificuldades para estabelecer um consenso nacional que permita unir a direita e a esquerda" (FSP).