O setor informal da economia brasileira abriga 40% dos trabalhadores ocupados nas regiões urbanas do país, como informa estudo elaborado por Alice Rangel de Paiva Abreu, Bila Sorj, economistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Ângela Filgueiras Jorge, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse contingente, que abrance cerca de 20 milhões de pessoas, 10,9 milhões são mulheres, como revela a pesquisa, com base no ano de 1990, sendo que 38% destas trabalhadoras atuam como empregadas domésticas. A remuneração da mulher no mercado informal é muito baixa, caindo para uma média de 2,7 salários-mínimos ante 3,2 no mercado formal de trabalho, enquanto a média dos salários dos homens não registrado alcança 5,3 mínimos. A mão-de-obra feminina concentrada na economia informal é pouco qualificada e, em sua maior parte, trabalho como "conta-própria" (63,9%) em seu próprio domicílio. A proporção de mulheres que trabalha como empregadoas, no setor informal, é de apenas 4,5% ante 10,4% de homens. A participação das trabalhadoras nas atividades não remuneradas alcança 8,3% ante 3,8% de mão-de-obra masculina. Outro detalhe importante do trabalho informal femininoé que ele é exercido, pela parcela maior de mulheres (65%), em tempo parcial. Apenas 15,5% dos homens optam pelo trabalho parcial, que corresponde a menos de 40 horas semanais. A pesquisa informa que essa opção é devido à necessidade de combinar suas atividades profissionais com as domésticas. Entre as mulheres, essa situação é mais marcante para as negras (GM).