DÍVIDA MOBILIÁRIA TEVE CRESCIMENTO DE 80%

A entrada de recursos externos foi responsável por cerca de 80% do crescimento da dívida mobiliária federal, de abril de 1993 a abril deste ano. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, a dívida em títulos atingiu CR$69,8 trilhões em abril último, com aumento real de 31,1%. Apenas entre março e abril, a dívida cresceu 6,1% acima da inflação. A dívida interna passou de US$50,5 bilhões em março para US$53,5 bilhões, em abril. A maior parte dos títulos foi vendida para retirar de circulação os cruzeiros emitidos para entregar aos beneficiários de recursos estrangeiros. Mais uma vez, o ingresso de moeda estrangeira pressionou a emissão de cruzeiros reais, com impacto de US$2,4 bilhões. Este é um círculo vicioso do qual o governo não tem conseguido sair. Os juros altos, usados para inibir a inflação, atraem capital externo, que também acorrem ao país em busca de ganhos nas bolsas de valores. Só que a entrada de moeda estrangeira provoca emissão de cruzeiros. Nem toda emissão pode ser recolhida com a venda de títulos, o que acaba causando mais inflação. No final de abril, o papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista cresceram 49% em relação ao final de março. A base monetária contraiu-se em 3,9% pelo critério da média dos saldos diários. Conforme os dados do BC, o superávit cambial gerado no mercado de câmbio comercial foi de US$2,7 bilhões em abril, com crescimento de quase 70% em relação a março. A contratação de exportações para os próximos seis meses foi a principal causa do aumento da quantidade de dinheiro na economia em abril. Ao todo, entraram no país US$4,1 bilhões em operações de vendas ao exterior, cujas mercadorias ainda serão embarcadas. No mesmo período, as saídas de divisas para compra de produtos importados chegaram a US$1,5 bilhão (JC).