A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou irregularidades em saques e benefícios da Previdência Social aprovou ontem o relatório final, propondo que toda a documentação colhida seja encaminhada ao Ministério Público, para que a Polícia Federal continue as investigações. Os documentos também serão entregues ao Banco Central e ao Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI constatou que a Previdência sofreu um rombo de cerca de US$3 bilhões, entre os anos de 1988 a 1993, por desvios nos benefícios. O relatório apresentado pela deputada Cidinha Campos (PDT-RJ) foi aprovado por unanimidade, exceto no que se refere ao ex-diretor da Polícia Federal, delegado Romeu Tuma. Os parlamentares concordaram que não havia elementos suficientes para que Tuma fosse citado, embora até o final Cidinha tenha defendido a inclusão de seu nome no relatório. O ex-governador do Pará e ex-ministro da Previdência, Jáder Barbalho, também teve seu nome retirado do relatório final da CPI. As investigações da CPI apontaram a existência de um grande esquema de corrupção envolvendo funcionários públicos, policiais e até dois ex- ministros do governo Collor de Mello-- Antônio Rogério Magri (Trabalho) e João Santana (Infra-estrutura), além do ex-presidente do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), José Arnaldo Rossi. Segundo o relatório, o esquema era chefiado pelo argentino César Arrieta, que mantinha ligações em praticamente todas as áreas relativas a benefício previdenciário e atuava junto a empresas devedoras do INSS, parcelando ou cancelando ilegalmente as dívidas, em troca de propinas (JC) (O Globo).