Um levantamento realizado em Manaus (AM) pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) revela que 61,68% da população manauara ganha menos de um salário-mínimo. Como reflexo desse quadro negativo, 50,27% das crianças com idade acima de sete anos nunca frequ"entaram uma sala de aula. As conclusões foram discutidas ontem durante a I Conferência Estadual de Segurança Alimentar. Segundo o coordenador do Comitê da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida da Região Norte, Ricardo Wendling, o salário-mínimo na região deveria ser de 503 Unidades Reais de Valores (URVs)-- atualmente é de 64,79 URVs. Dados do Conselho Regional de Economia mostram que a cesta básica em Manaus custa 73,46 URVs, o que significa um gasto 10% superior ao salário-mínimo, enquanto em 1986 a cesta básica custava 72% do salário-mínimo. Em Manaus, ainda segundo dados do órgão, denunciados na conferência, uma família padrão (quatro pessoas) gasta hoje 242 URVs para alimentação e 33 URVs para transporte. Com referência à questão do desemprego, o coordenador do CDDH, Humberto Guidotti, disse que, com base em dados do Sistema Nacional de Emprego (SINE), os cinco primeiros meses de 1994 registraram nove mil desempregados, média de dois mil por mês. O setor metalúrgico, por exemplo, registrava no ano de 1990 cerca de 80 mil empregados, para um total de 217 fábricas, com uma média de 368 trabalhadores por fábrica. Em 1993, o número de empregados caiu para 25 mil, para um total de 394 fábricas, perfazendo uma média de 63 trabalhadores por fábrica (GM).