A MULHER NO MERCADO FORMAL DE TRABALHO

Nos últimos 10 anos, a mulher ampliou sua participação no mercado de trabalho de 33,6% para 37,8%, entre 1981 e 1990, segundo estudo das economistas Lena Lavinas, Virene Matesco e Cristina Bruschini, para o II Seminário Nacional sobre Políticas Econômicas, Pobreza e Trabalho, que começa hoje, no Rio de Janeiro (RJ), como preparação para a VI Conferência Internacional da Mulher, em Pequim (China), no ano que vem. As pesquisas das economistas revelam, porém, que apesar de mantida esta tendência de expansão da mão-de-obra feminina nos diversos setores da economia, nos anos 90, a mulher ainda é segregada em ramos industriais importantes, como o automobilístico, químico e de papel e papelão-- incluídos entre os mais competitivos da indústria; tem pouco acesso a cargos de direção e a presidência das empresas e ocupa funções menos qualificadas que os homens no setor de serviço, além de receber salários inferiores 40%, em média, aos de seus companheiros de trabalho. Uma taxa menor de fecundidade, necessidades econômicas e aumento significativo de escolaridade, no período pesquisado, "empurraram a mulher para fora de casa, nos anos 80", diz o estudo. As mulheres concentram sua presença no setor terciário, onde ocupam 31% do comércio e 29% do setor de prestação de serviços. No comércio, 33% estão empregadas como vendedoras e só os supermercados absorvem 19% deste percentual. "Elas estão absolutamente ausentes do comércio atacadista e dos negócios mais sofisticados neste segmento", revela a pesquisa. Apenas 23% dos trabalhadores nas indústrias são mulheres. A maior parte deste percentual (26%) ocupa tarefas de operários, com baixa qualificação. Cerca de 11% trabalham nas fábricas em funções intermediárias (chefias, gerências) e só 10% são guindadas a cargos de direção (GM).