ONGs PEDEM O FIM DO FMI E BANCO MUNDIAL

Trinta e seis entidades ecológicas, religiosas, estudantis e de assistência ao desenvolvimento lançaram ontem nos EUA a campanha "50 anos é suficiente" contra as políticas ortodoxas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BIRD) para os países do Terceiro Mundo. A principal crítica dos organizadores da campanha é que os bilhões de dólares carreados para os países pobres durante cinco décadas, desde a criação do FMI e do BIRD na histórica conferência de Bretton Woods, em 1944, não melhoraram a situação das populações que deveriam ter sido beneficiadas. Atualmente, segundo os dirigentes da campanha, de três a quatro mil pessoas morrem diariamente no mundo de fome ou de doenças ligadas à desnutrição. As entidades prometem pressionar o Congresso e o governo norte-americanos para que mudem as políticas dos organismos multilaterais de crédito, uma vez que os EUA, o Canadá e os países europeus ricos estão entre os maiores acionistas daquelas instituições. Atherston Martin, economista dominicano convidado para falar no lançamento da campanha, sintetizou os motivos pelos quais a ajuda aos países pobres não tem sido eficaz: "Ela parte do princípio de que tudo o que é bom em matéria de talento e experiência vem de outros países, por coincidência, no Norte", disse. A ênfase das políticas do FMI e do Banco Mundial é que o importante é
80051 produzir para exportar e pagar a dívida externa, e se arranjar com o que
80051 sobrar, colocando em segundo plano os mercados domésticos e regionais. O
80051 resultado é a fome em países produtores de alimentos ou a dependência em
80051 relação à importação de alimentos que, por coincidência, também são
80051 vendidos pelos países do Norte. Finalmente, que o capital, as tecnologias
80051 e os processos trazidos de fora são os que têm valor, os domésticos não
80051 valem nada, acrescentou Matin De acordo com o economista, essas políticas são francamente antidemocráticas, pois impedem a participação das populações dos países nos processos de decisão e desprezam a diversidade de contribuições e idéias, que constitui a base da democracia (JB).