O relatório "Conflitos no Campo", que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga hoje, revela que, no ano passado, 391.128 pessoas estiveram envolvidas em 545 conflitos no campo; 252.236 das quais em disputas por 3.221.252 hectares de terra. O documento mostra também que 67.031 homens e mulheres estiveram envolvidos em 92 conflitos de seca, reivindicando abertura de frentes de emergência, cobrando pagamentos de salários e ocupando cidades à procura de comida no Nordeste. As ocupações de terra contaram com 19.092 famílias, enquanto o número de trabalhadores escravos foi de 19.940 em 15 estados. A maior incidência (em cinco fazendas) foi registrada no Pará. O relatório da CPT lista ainda 52 assassinatos, enquanto outras 37 pessoas foram vítimas de tentativas de homicídios em todo o país. Em relação aos ameaçados de morte, o documento mostra que, entre os 154 jurados pelos matadores, constam dirigentes sindicais, posseiros, parlamentares, uma juíza e um promotor. Também se destaca na lista dos matadores o bispo dom Pedro Casaldáliga, de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso (JC).