CÂMARA ARQUIVA PROCESSO CONTRA "ANÃO" DO ORÇAMENTO

O plenário da Câmara dos Deputados decidiu ontem arquivar o processo de cassação do mandato do deputado evangelista João de Deus Antunes (PPR- RS), acusado pela CPI do Orçamento de se haver beneficiado de verbas públicas. Apenas 213 deputados votaram contra o relatório da Comissão de Constituição e Justiça que inocentava o parlamentar, enquanto 180 se pronunciaram a favor, tendo sido registraas, ainda, 22 abstenções. Seriam necessários 252 votos contrários ao relatório para que o deputado fosse cassado. João de Deus era acusado de haver patrocinado emendas ao Orçamento da União beneficiando a Ação Social Evangélica, de Porto Alegre (RS), da qual é fundador. Segundo as denúncias, de US$3 mil que a instituição recebeu a título de subvenções sociais do Orçamento de 1991, US$2,5 mil fora depositados na conta pessoal do parlamentar no dia seguinte ao da liberação pelo Ministério da Ação Social. Ele alegou que o dinheiro se referia a uma dívida pessoal do pastor evangélico Ivan Nunes, casado com a presidente da entidade, Marlene Nunes, embora não apresentasse qualquer comprovante desse débito. A CCJ aprovou ontem o pedido de cassação do mandato do deputado José Geraldo Ribeiro (PMDB-MG), um dos "anões" da máfia do Orçamento. O parecer do deputado Vasco Furlan (PPR-SC) foi aprovado por 35 votos "sim" contra sete "não", com seis abstenções e um voto nulo. O deputado, que agora será julgado em plenário, criou três entidades para as quais desviou recursos do Orçamento, aprovou emendas de obras executadas por suas construtoras e, em acordo com prefeitos mineiros, desviou parte de verbas por ele liberadas no Ministério da Ação Social (GM) (O Globo).