VENEZUELA ENFRENTA AMEAÇA DE CAOS SOCIAL

O presidente venezuelano Rafael Caldera chegou aos seus 100 dias no poder com o caos social batendo às portas do país e ameaça de suspensão de garantias constitucionais. A violência estudantil que o obrigou a militarizar a capital e várias outras cidades no último dia 10 significou o fim da lua-de-mel para o veterano líder democrata-cristão que herdou o país submergido em uma crise política, social e econômica sem precedentes. Um déficit fiscal de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) de US$63 milhões e uma inflação anual que pode chegar a 100% com a brusca subida do dólar, que se valorizou 25% em duas semanas, situam a crise. Para solucionar a quebra do segundo maior banco do país e outras oito instituições bancárias carregadas na onda, Caldera decidiu auxiliar o sistema financeiro com o equivalente a mais de 33% da renda proveniente do petróleo prevista no orçamento de 1994 (já muito debilitada em função da queda do preço internacional do petróleo). A ajuda aos banqueiros e não aos programas sociais foi um dos principais motivos da explosão nas ruas. Com os nervos a flor da pele após vários meses de racionamento e uma perda de seu poder aquisitivo diante dos efeitos inflacionários da desvalorização do bolívar (a moeda nacional), a população venezuelana mostra que não aceita novas frustrações. Os estudantes foram para as ruas protestar contra a recusa dos motoristas de ônibus de cobrar meia passagem. Maio foi marcado pela troca de coquetéis molotov e gás lacrimogêneo. Diferentes setores da sociedade, como os médicos, aposentados, agricultores e sem-terra, têm aderido às manifestações estudantis, cuja repressão deixou um saldo de centenas de feridos. Entre eles um estudante de 17 anos morto semana passada. No rastro dos distúrbios, comércio e caminhões de alimentos foram saqueados (JB).