A RENOVAÇÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Os analistas políticos prevêem uma brutal renovação da Câmara dos Deputados na eleição de outubro próximo. Falam em 75% de mudanças. Isso implicaria na substituição de 377 dos atuais 503 deputados. Ou seja, apenas 126 voltariam a Brasília para um novo mandato de quatro ano. Uma pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dá força a essa previsão. Em 1986, a Câmara foi renovada em 63,65%. Quatro anos depois, na eleição de 1990, o eleitor foi implacável e negou um novo mandato para 64,06% dos candidatos. Alguns estados não quiseram saber de nenhum político da safra anterior. Em 1990, a renovação em Roraima foi integral. No Pará, o número foi o segundo mais alto do país: 88,24% foram fulminados. E a reciclagem política é naciona;. No Paraná, 83,33% dançaram. A exceção na geopolítica fica com a Bahia. Lá, 55% dos deputados foram reeleitos em 1986. Na última eleição, o resultado foi melhor ainda para os políticos: metade da bancada voltou. Numa eleição com ressaca de duas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) e um Impeachment", o eleitor promete mudanças. Mas isso não implicará na reorientação ideológica do Congresso Nacional. A bancada de 36 deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, deve até dobrar, mas, ainda assim, será pequena se comparada aos atuais 92 deputados do Partido da Frente Liberal (PFL), que devem ultrapassar uma centena (JB).