O crescimento da população africana é tão veloz, que nem os assustadores índices de contaminação pela AIDS o deterão, prevê o Escritório de Censo da Organização das Nações Unidas (ONU). Por volta de 2010, a taxa de mortalidade prevista para a região ao sul do deserto do Saara deve ser o dobro do que era em 1985, por causa da AIDS. "Mas não veremos a população declinar na África, pelo menos não nas próximas décadas", diz Peter Way, pesquisador do escritório das Nações Unidas. Na Tailândia, porém, a população vai provavelmente diminuir, pois a AIDS deve multiplicar por três a taxa de mortalidade. O relatório do Escritório do Censo faz parte dos preparativos para a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que será realizada em setembro no Cairo (Egito). O documento estima que a população mundial aumente de 5,6 bilhões de pessoas em 1994 para 7,9 bilhões em 2020. Com base em projeções feitas por computador, o Escritório prevê que a AIDS vá cancelar anos de esforços para reduzir a mortalidade de crianças no Terceiro Mundo. "Não será incomum nesses países ver dobrar a taxa de mortalidade antes dos cinco anos de idade", diz Way. Em certos países, a AIDS deve reduzir a expectativa de vida, que tem melhorado nos últimos 40 anos, afirma o relatório. Para Uganda, por exemplo, está prevista uma redução na expectativa de vida média de 59 para 32 anos, por volta do ano 2020 (FSP).