Os sem-terra estão ocupando 91 propriedades rurais em todo o país. Estão acampadas nestas áreas 16.690 famílias, segundo o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra). Neste ano, os sem-terra já ocuparam 16 propriedades. A mais antiga ocupação ainda em curso no país teve início em setembro de 1989 em uma área do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Bagé (RS). Os sem-terra estão mais organizados no Paraná, onde 21 propriedades estão ocupadas. Este mês, o MST e outras entidades estão promovendo o :Grito da Terra Brasil, campanha para chamar a atenção para a reforma agrária. A estratégia dos sem-terra é ocupar prédios públicos e conseguir audiências com as autoridades. Na semana passada, eles ocuparam várias delegacias regionais do Ministério da Fazenda. No Rio Grande do Sul, um conflito entre o MST e policiais militares deixou 10 feridos. A campanha foi organizada paralelamente ao "Dia Nacional de Mobilização", criado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) como protesto contra o plano econômico idealizado pelo atual candidato do PSDB à Presidência da República, senador Fernando Henrique Cardoso. O governo suspeita que essas mobilizações tenham objetivos eleitorais. O MST está reivindicando também a liberação de créditos agrícolas, distribuição de sementes e criação de empregos no campo. Segundo dado do INCRA, existem hoje 1.057 assentamentos, que ocupam 6,2 milhões de hectares. A maioria deles (402) está concentrada no Nordeste. No total, 122.599 famílias já foram assentadas. O MST estima que existam cerca de 12 milhões de trabalhadores rurais sem-terra no país e pelo menos 250 milhões de hectares em terras devolutas do Estado. As áreas ocupadas por estado foram: Paraná (21), Pernambuco (13), Bahia (8), Mato Grosso do Sul (8), Goiás (7), São Paulo (5), Maranhão (4), Paraíba (4), Minas Gerais (3), Rondônia (3), Rio Grande do Sul (3), Sergipe (3), Santa Catarina (2), Pará (2), Espírito Santo (2), Distrito Federal (1), Rio de Janeiro (1) e Rio Grande do Norte (1). Documentos reservados repassados ao presidente Itamar Franco informam sobre o crescimento do problema fundiário no país. Investigações oficiais indicam o risco de uma escalada de violência no campo. Os relatos são preparados pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), chefiada pelo almirante Mário César Flores. A investigação dos sem-terra começou há dois anos. Segundo Flores, "é preocupante o crescimento do conflito agrário". Segundo ele, os sem-terra "adotaram a violência como método político". Nas reuniões de Itamar com os ministros militares, houve unanimidade quanto a um ponto. O presidente e seus auxiliares mostram-se convencidos de que a CUT, braço sindical do PT (Partido dos Trabalhadores), está por trás da radicalização dos sem-terra. Os dirigentes da CUT negam a opção pelo radicalismo e exploração eleitoral. Teme-se, em Brasília, que os sem-terra intensifiquem ocupações, para criar um fato consumado, forçando o futuro governo a realizar uma ampla reforma agrária (FSP).