Alguns governadores e também membros da equipe econômica do governo estão vendo com ceticismo a viabilidade do projeto de transposição de água do rio São Francisco em direção ao sertão nordestino. O projeto foi lançado recentemente pelo presidente Itamar Franco, a um custo de US$2,1 bilhões, e incluído no Programa de Fortalecimento da Infra- Estrutura Hídrica do Nordeste (Prohidro), elaborado pela SUDENE. As divergências em relação ao projeto de transposição ficaram patentes ontem, durante a reunião do conselho deliberativo da SUDENE, no Recife (PE). Ao final do encontro, o conselho decidiu aprovar o Prohidro sem a etapa de transposição. O Prohidro, orçado em três bilhões de URVs para serem aplicadas em quatro anos, sendo 520 milhões para este ano, inclui obras de construção de adutoras, barragens, poços e cisternas. "Esperamos que com a aprovação do Prohidro a bancada nordestina passe a lutar pelos recursos", disse o superintendente adjunto da SUDENE, Leonildes Alves. Dos 520 milhões de URVs previstas para serem aplicadas este ano, apenas 20 milhões estão garantidas pelo Orçamento da União. A primeira etapa do projeto, a princípio prevista para ser concluída este ano, está orçada em US$635 milhões, devendo transportar 50 metros cúbicos de água por segundo do Cabrobó (PE) até o rio Jaguaribe (CE), através de um canal de 120 quilômetros de extensão (GM).