FIÚZA É ABSOLVIDO NO PLENÁRIO DA CÂMARA

O deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE) escapou da cassação ontem à noite. No julgamento secreto do plenário da Câmara dos Deputados sobre o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que no dia 28 de abril absolvera o deputado, 232 deputados votaram pela cassação, quando eram necessários 252 votos para que o parecer fosse derrubado. O relatório da CCJ recebeu 208 votos favoráveis, houve 15 abstenções e quatro parlamentares votaram em branco. Por 20 votos, portanto, foi mantido o resultado da CCJ pela absolvição de Fiúza e o processo foi arquivado. Do lado de fora, no gramado do Congresso Nacional, cinco artistas plásticos montaram uma pizza gigante exigindo a cassação de Ibsen Pinheiro e Fiúza. A expectativa inicial de cassação do mandato de Fiúza por falta de decoro parlamentar e envolvimento com a máfia do Orçamento pelo plenário da Câmara foi contida no meio da noite, quando o deputado Roberto Cardoso Alves (PTB-SP) fez um inflamado discurso em defesa do parlamentar. A sensação geral era de que Cardoso Alves conseguira decidir o jogo com vitória da absolvição do acusado. Para o deputado Paulo Delgado (PT-MG), o arquivamento do processo contra Fiúza representa a assinatura do
79952 atestado de óbito da Câmara. O relator da CPI do Orçamento, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), marcou presença no plenário, mas não votou. Depois de receber os cumprimentos dos correligionários pela absolvição, Fiúza anunciou que vai deixar a vida pública. "Não sou mais candidato a nada. Abandono, daqui pra frente, a vida pública", prometeu. Os primeiros cumprimentos partiram da antiga tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O deputado Ivan Burity (PFL-PB) e o senador Ney Maranhão (PRN-PE) foram abraçá-lo (O Globo) (JB).