O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou ontem, em Washington (EUA), em princípio, a idéia de "usar forças militares de vários países para restaurar a democracia no Haiti". Ele disse que o golpe militar contra o presidente Jean-Bertrand Aristide foi "tão grave" quanto a invasão do Kuwait por Saddam Hussein e, numa aparente crítica velada à passividade dos EUA no caso do Haiti, afirmou que não concorda com "essa política de dois peses e duas medidas". Em suas primeiras declarações significativas sobre política externa durante sua viagem aos EUA, Lula defendeu a negociação de "mecanismos mais ágeis" para responder a atentados contra a ordem democrática na América Latina. Mas criticou a idéia da formação de um corpo militar permanente para proteger os regimes democráticos da região, sob a égide da Organização dos Estados Americanos (OEA). E afirmou que o Brasil, sob um governo do PT, não pretende assumir um papel de liderança "nessa questão específica", mas participará junto com outros países da região de iniciativas e ações que respeitem o princípio da auto-determinação. Lula também criticou o embargo comercial dos EUA à Cuba: "O embargo feito contra o presidente Fidel Castro não é justo, porque quem está sofrendo é o povo cubano". "Não compreendo uma ação que é tomada em nome da defesa dos direitos humanos em Cuba mas que acaba deixando crianças inocentes em Cuba sem comida e sem remédio", disse. Na audiência pública no Congresso dos EUA, Lula disse que pretende utilizar a Amazônia como uma espécie de moeda de troca numa possível renegociação da dívida externa brasileira. Segundo ele, a região poderia servir como uma alavanca para o país obter maior ajuda externa. O candidato repetiu que não romperá o acordo firmado recentemente com os credores. Mas disse que planeja promover discussões internacionais relacionando essa questão à da preservação da Amazônia. Lula afirmou, ainda, que não aceita "a idéia de que a Amazônia é apenas um santuário da humanidade, sem levar em consideração seus 18 milhões de habitantes, que têm direito ao trabalho e à modernidade". Ele pregou um desenvolvimento ordenado para a região (O ESP) (O Globo) (JB).