O presidente da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), entregou ontem ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, uma representação criminal contra o general da reserva Adyr Fiúza de Castro, ex-chefe do Centro de Informações do Exército, que defendeu a prática de tortura contra presos políticos. Fiúza de Castro afirmou ao jornal "Correio Braziliense", na edição do último dia nove, que admitia a tortura "para tirar informações em nome da segurança nacional", acrescentando que aceitava "até choques elétricos na região genital, como muitos presos políticos sofreram". O deputado lembrou que a Constituição de 1988 considera o crime de tortura inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Para ele, o militar que defende a tortura "mancha de vergonha a farda que veste", porque, por pertencer às Forças Armadas, "deveria ter comportamento exemplar, render plena obediência à Constituição e defender o que ela estabelece" (JC).