A entrada em circulação do real pode tornar o abastecimento de alimentos básicos mais apertado e pressionar os preços. "Se a inflação ficar entre 4% e 5% com o real, o consumo de alimentos pode crescer cerca de 10% nos primeiros meses", prevê o economista Homem de Melo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Segundo ele, o trabalhador vai ter um ganho substancial de poder aquisitivo dentro do mês. Hoje, o salário é corrigido só até a data do pagamento. A partir daí, se desvaloriza para quem não tem a alternativa de investir o dinheiro. Essa desvalorização se reduz drasticamente, se a inflação for baixa, explica. Os consumidores de baixa renda, segundo o economista, devem aumentar as compras de carnes, frutas, leite e derivados. Para o coordenador-adjunto do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FIPE, Heron do Carmo, "as famílias de baixa renda, que não têm acesso às aplicações do mercado financeiro, vão direcionar esse ganho para o consumo de alimentos, principalmente carnes e proteínas (FSP).