O presidente Itamar Franco reuniu ontem, no Palácio do Planalto, todos os ministros de Estado, os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e lideranças políticas, entre as quais o candidato Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), para confirmar o dia 1o. de julho como a data da implantação do real, mas não anunciou as novas regras de políticas monetárias e cambial. O ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, disse que tais regras ainda estão em estudos, bem avançados, frisou, mas a equipe econômica quer aprofundar-se ainda mais, para divulgá-las em junho. Uma das preocupações dos empresários é a taxa de juros sob a nova moeda. O real será o dinheiro de um Brasil que não vai ter uma inflação alta
79889 como a nossa, afirmou o presidente em discurso que durou nove minutos. Itamar disse que o país tem todas as condições para organizar a economia: Resolvemos o problema da dívida externa e do déficit orçamentário; a
79889 economia volta a crescer e vamos colher a maior supersafra da história. O presidente fez dois pedidos: à população, para que acredite na nova moeda; e ao Congresso Nacional, para que aprove a medida provisória que oficializa a Unidade Real de Valor (URV). O presidente desvinculou, pela primeira vez, o plano de estabilização econômica da candidatura de Fernando Henrique. Até então, o plano era chamado, pelo próprio presidente, de Plano Cardoso. "Acreditamos, pois, no Plano Real, projetado na gestão do ex-ministro Fernando Henrique Cardoso", afirmou. Os cruzeiros reais em circulação poderão ser trocados por reais entre os dias 1o. e 15 de jilho, mas tal prazo é prorrogável, informou o diretor de Administração do Banco Central, Carlos Eduardo Tavares de Andrade. A conversão dos depósitos à vista e das aplicações financeiras será feita automaticamente pelas instituições. Nos 15 dias de julho, os bancos estenderão o expediente por uma hora. Até o final deste mês, o BC disporá de US$1,9 bilhão em cédulas e moedas do real. Os cheques emitidos a partir de 1o. de julho terão que ser expressos em reais, mas o BC deverá baixar norma para os prédatados. O governo vai definir também a aplicação de um deflator (índice de redução da inflação) na conversão para o real dos contratos de aluguéis que estavam em cruzeiros quando entrar em vigor a nova moeda. As cadernetas de poupança terão remuneração pro rata até 30 de junho. "O governo não vai dar garfada em nenhuma aplicação", prometeu o presidente do BC, Pedro Malan. Segundo ele, a poupança passará por um ajuste: na transição, durante o período de troca de moeda, terá uma correção proporcional à inflação apurada antes e depois do real; já para as cadernetas abertas a partir de 1o. de julho, a TR (Taxa Referencial) poderá ter um novo cálculo (JC) (FSP) (O Globo).