Pequenos agricultores, seringueiros, assalariados rurais e pescadores iniciaram ontem em todo o país manifestações para chamar a atenção em torno do movimento Grito da Terra Brasil, pelo qual pretendem pressionar o governo federal a adotar medidas contra a fome e o desemprego. As reivindicações, que serão levadas aos governos estaduais e federal, a partidos políticos e candidatos à Presidência da República, incluem a reforma agrária, garantia de direitos trabalhistas e política agrícola voltada para o pequeno produtor rural. As medidas sugeridas a partir das discussões da pauta de reivindicações serão utilizadas pelo movimento para subsidiar a elaboração de um modelo de desenvolvimento para o campo. O Grito da Terra Brasil contribui, assim, para a campanha contra a fome e
79884 pelo emprego, dirigida por Betinho, e pretende interferir nas eleições
79884 gerais deste ano, com propostas que os trabalhadores acreditam
79884 necessárias, diz o documento divulgado ontem pelos organizadores-- CUT (Central Única dos Trabalhadores), CONTAG (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura) e outras entidades e associações sindicais. Em São Paulo, cerca de 200 pessoas participaram de uma passeata pelo centro da cidade. Apesar da falta de incentivos, os pequenos produtores (com áreas de até 100 hectares) respondem pela produção de 43% da laranja e 69% da batata inglesa do país. As relações de trabalho no campo transformam o pequeno produtor em assalariado temporário, sem vínculo empregatício, denunciam os organizadores do movimento. Em 1989, dos 7,5 milhões de trabalhadores rurais, apenas 30,7% tinham carteira assinada. O movimento reivindica maior fiscalização por parte do Ministério do Trabalho (JC) (O ESP).