Descrente na redenção dos políticos, o brasileiro, mais do que nunca, está preferindo um ladrão que faz a um honesto que não faz. Sucessivas pesquisas do IBOPE, não divulgadas ou parcialmente divulgadas, desde novembro de 1989, tempos da ilusão Collor, vêm constatando que os políticos são todos "farinha do mesmo saco". Os números mostram que, da última eleição presidencial para cá, a descrença geral nos políticos veio crescendo quase em progressão geométrica. Em fevereiro de 1990, por exemplo, 65% não confiavam nos partidos. Hoje, esses descrentes já somam quase 80% do eleitorado. Em abril de 1991, 76% rejeitavam os políticos. Hoje, são 82%. Em agosto de 1991, 45% não acreditavam no Congresso Nacional; hoje, 65%. As pesquisas levaram o diretor-executivo do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, a uma constatação: "O eleitor acha que, em princípio, todos os políticos roubam. Por isso, está preferindo o competente ao supostamente honesto, que ainda não provou competência" (JB).