A vinda ao Brasil, na semana passada, do jornalista islandês Magnus Gudmundsson pôs em destaque um fenômeno que já tem considerável tamanho nos EUA: o movimento ambientalista. O crescimento desse movimento é justamente o tema de um livro da Greenpeace, principal alvo das acusações de Gudmundsson. O livro aponta as organizações de militância antiecológica em atividade nos EUA. Gudmundsson, segundo a Greenpeace, é um exemplo dessa militância. Jornalista e "videomarker", ele viaja há quase 10 anos pelo mundo lançando duras acusações contra a Greenpeace, conhecida organização verde que hoje atua em 29 países, inclusive o Brasil. As acusações são feitas em palestras, entrevistas à imprensa e exibição de vídeos produzidos por ele mesmo. Em suas viagens, Gudmundsson acusa a Greenpeace de, entre outras coisas, matar focas especialmente para fazer um vídeo, embebedar adolescentes para induzi-los a mutilar cangurus (também para gravar) e de manter dinheiro em contas secretas. Tais acusações lhe renderam três processos judiciais. Num deles, já concluído na Noruega, Gudmundsson foi condenado a pagar uma indenização e a se retratar publicamente. Segundo José Augusto Pádua, da diretoria da Greenpeace no Rio de Janeiro, Gudmundsson nada mais é do que um caluniador profissional a serviço de organizações antiecológicas que integram um movimento surgido em reação ao sucesso ambientalista. Como resposta à corrente antiverde, a Greenpeace publicou o livro, escrito por um de seus integrantes, Carl Deal. O livro "The Greenpeace guide to antienvironmental organizations" dá os nomes e referências de 55 organizações não-governamentais (ONGs) antiambientalistas em atividades nos EUA. As ONGs foram classificadas pelo autor em seis categorias, segundo sua forma de atuação. São apontadas desde ONGs radicais, que combatem um suposto "ecoterrorismo", até as organizações consideradas moderadas, como o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, que, desde 1991 até há 15 dias, teve sua filial brasileira dirigida por Márcio Fortes, candidato a deputado federal pelo PSDB do Rio de Janeiro. Os grupos antiambientalistas são: 1) Empresas de relações públicas; 2) Grupos de frente corporativa; 3) Grupos de reflexão ideológica; 4) Grupos de apoio jurídico; 5) Grupos de financiamento; e 6) Grupos de defesa da exploração dos recursos naturais. O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, a única das 55 ONGs citadas no manual da Greenpeace com uma filial brasileira oficializada, foi classificada como entidade "greenwashing", expressão que pode ser traduzida como de maquiagem verde ou superficial. As organizações desse tipo são definidas como aquelas que, embora se apresentem como favoráveis ao ambientalismo, continuam exercendo atividades poluentes. O empresário Márcio Fortes diz que o ambientalismo assumido pelo Conselho não é apenas superficial, mas admite que as idéias são diferentes das dos verdes. "Não se pode confundir desenvolvimento com prejuízo ambiental", argumenta. "Partimos do princípio de que é necessário usar o patrimônio ambiental. Mas todas as empresas do Conselho mantém linhas de pesquisa para encontrar opções não-poluentes. O fato é que não se pode voltar a um estado primitivo nas relações com o meio ambiente, como parecem querer grupos como a Greenpeace", afirma Fortes (O Globo).