Para que a União obtivesse de volta o capital injetado em suas empresas nos últimos sete anos, seriam necessários pelo menos 140 anos. O governo federal investiu US$27,6 bilhões nesse período e recolheu, a título de dividendos, apenas US$1,1 bilhão, segundo dados colecionados pelo consultor Antoninho Marmo Trevisan. Desse total estão excluídos os US$16 bilhões aplicados no revigoramento de empresas destinadas ao programa de desestatização, cujo retorno só estará disponível para a sociedade a longo prazo. O resultado das aplicações do dinheiro público não deve ser interpretado como uma receita à privatização, a qualquer custo ou preço. "Há uma tarefe ainda mais urgente a ser desempenhada pelo governo", afirma Trevisan. "É preciso cuidar desse patrimônio cujo valor é estimado em US$200 bilhões", diz. O consultor aprova a decisão do governo em recriar a Secretaria de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Sest). Trevisan, que coordenou a instituição entre 1986 e 1987, considera as estatais inviáveis pela sua natureza. Essas empresas existem como instrumento de política econômica, política partidária ou de política social, acredita. "São fatores que limitam a sua atuação e administração", diz. Mas um patrimônio tão valioso deve er submetido às modernas técnicas de gerenciamento. Isso se faz abrindo os números para a sociedade, recomenda. Trevisan avalia sua curta experiência à frente da Sest como bem sucedida. Ele promoveu audiências públicas para que dirigentes das estatais fossem sabatinados por analistas de mercado. Divulgou os números a cada trimestre e quem era quem em cada posto das estatais. Os principais números do setor público federal são: 1) Total de empresas (120); 2) Empregados no setor produtivo (417 mil); 3) Empregados em bancos oficiais (209 mil); 4) Servidores na administração direta (1,1 milhão); 5) Ativos das empresas estatais (US$193 bilhões); Passivo (US$94 bilhões); e 6) Patrimônio líquido (US$99 bilhões-- saldo contábil. Estimativa do valor real: US$200 bilhões) (O ESP).