CONTRABANDO DE ANIMAIS E MADEIRAS NO AMAZONAS

O contrabando de animais silvestres e madeiras nobres do Amazonas para os EUA, Europa e Ásia rende US$185 milhões por ano. A estimativa é da Coordenadoria de Fiscalização do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) do Amazonas. O valor corresponde a 142,5 vezes o orçamento deste ano da Secretaria de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do estado (CR$430 milhões em janeiro). Segundo o zootecnista José Leland, da Divisão Técnica do IBAMA-AM, a partir de 1985 houve um crescimento na procura por animais silvestres no estado. Um levantamento não-oficial do órgão revelou que o lucro anual dos contrabandistas de peixes ornamentais da região do Alto Solimões, na fronteira com a Colômbia, é de cerca de US$75 milhões. "Os peixes são vendidos por colombianos, que os recolhem em Tabatinga (AM)", disse Leland. De acordo com a avaliação do órgão, sete mil aves são retiradas ilegalmente do Amazonas por ano. Desse total, 1.750 (25%) são aves de grande valor no mercado exterior: araras, papagaios e tucanos. As três espécies renderiam cerca de US$17 milhões/ano aos contrabandistas. A arara, por exemplo, é vendida no exterior por US$10 mil (CR$13,6 milhões). Dados da Coordenadoria de Fiscalização do IBAMA-AM mostram que são contrabandeados 700 mil metros cúbicos por ano de madeiras nobres, como mogno e cerejeira. A demanda por madeira em Manaus é de 600 mil metros cúbicos. Mas o IBAMA constatou que as madeireiras do Amazonas extraem cerca de 1,3 milhão de metros cúbicos de madeira por ano. Para o exterior, seriam remetidos 300 mil metros cúbicos e arrecadados US$81 milhões. Os 400 mil metros cúbicos restantes seriam comercializados clandestinamente no mercado interno. Os animais e a madeira sairiam do Amazonas em aviões clandestinos ou pelas estradas que ligam o estado à Guiana e Venezuela. A Coordenadoria de Fiscalização estimou os números do contrabando a partir das apreensões realizadas nos últimos cinco anos. Leland informou que, para cada quantidade apreendida de animal ou de madeira, o órgão calcula que exista pelo menos o triplo de recursos naturais cujo contrabando a fiscalização não consegue impedir (FSP).