CORRUPÇÃO NA DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS

O Programa Emergencial de Distribuição de Alimentos (Prodea) está sendo utilizado como instrumento político por prefeitos do Nordeste. Em Barreirinhas (MA), o prefeito Anselmo de França Ferreira (PFL) foi preso por um tenente do Exército após falar, ao megafone, que estavam chegando os produtos que ele comprara para a população. Em Tauá (CE), o número de pessoas alistadas pelo prefeito Pedro Barbosa de Castro (PRN) era muito maior que a listagem oficial da SUDENE. Em Mata Roma (MA), o Exército suspendeu a distribuição após constatar que na lista havia 54 pessoas com sobrenomes iguais. Esses casos, constatados pela comissão executiva do Prodea, podem se ampliar com a proximidade das eleições. Único programa de distribuição de alimentos do governo federal, o Prodea foi lançado em sete de novembro passado, com previsão de término para o próximo dia 15. Mas o programa está ainda na terceira de suas quatro etapas e seu alcance está muito aquém do previsto. Em alguns estados, como Alagoas e Piauí, o Prodea atingiu pouco mais de 20% da distribuição prevista. O coronel Cleber Carvalho, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que cuida da distribuição dos alimentos, garante que a empresa cumpriu sua parte. Segundo ele, foram entregues ou estão a caminho 195 mil toneladas de alimentos, das 225 mil toneladas prometidas. Mas apenas 76 mil foram entregues até a semana passada, segundo a própria Conab. Pior: o número de cestas declaradamente entregues aos carentes corresponde a mais de 80 mil toneladas, ou seja: sumiram pelo menos quatro mil toneladas. Tivemos que assumir erros de programas anteriores, como o programa das
79858 frentes produtivas da SUDENE, que nos forneceu as listas dos carentes, justificou Ana Peliano, autora do mapa da fome do Brasil e integrante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA). Ela afirma que o programa é elogiável pela meta-- distribuir 10,2 milhões de cestas básicas para mais de dois milhões de famílias do polígono das secas-- e pela participação da sociedade civil (O Globo).