O Brasil poderá reviver o "milagre econômico". Diferentemente do que animou a economia há 20 anos, porém, o de agora será liderado pelo setor privado, não pelo Estado. Esta é a conclusão de um estudo do Banco Mundial (BIRD) feito em 1993. A pesquisa será apresentada, no próximo dia 16, pelo diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni, a empresários e economistas. "A idéia é encaminhar o resultado deste estudo ao governo e aos candidatos à Presidência da República", explica Langoni, convidado pelo BIRD para fazer parte do conselho consultivo do órgão para assuntos da América Latina. O estudo revela que o Brasil é o país em desenvolvimento com o maior e mais diversificado setor privado e que a informalidade dentro dele já é responsável por 35% do Produto Interno Bruto (PIB) e 60% dos empregos gerados. Segundo a pesquisa, os empresários brasileiros são "mestres em corrigir monetariamente as transações empresariais a fim de reduzir alguns efeitos da inflação". Mas, diz o trabalho, ainda são inúmeras as dificuldades que o setor privado enfrenta, apesar dele estar cada vez mais funcionando como líder dos investimentos nacionais. O dados do BIRD mostram que o Estado só é responsável hoje por 11% dos investimentos no país. Em 1982, esse número era de 30%. Se ultrapassados os maiores obstáculos (estabilização da economia, ajustes fiscal e tributário, volta do crédito aos empresários e avanços na desregulamentação econômica), o Banco Mundial acredita que os primeiros setores a se beneficiarem serão os que usam mão-de-obra não qualificada, como construção civil e agroindústria. Uma das principais conclusões do estudo do BIRD é a de que o setor privado brasileiro, acostumado ao caos gerado pela inflação, conseguiu sobreviver com pouquíssimo do principal ingrediente que move as empresas em todo o planeta: o crédito. O setor financeiro, que deveria ser um serviço de transsações, emprestando a quem precisa (empresas e consumidores), se transformou num serviço para ajudar o Estado a diminuir seus déficits. Os dados do BIRD mostram que, de 1980 a 1991, o PIB brasileiro cresceu 18%, enquanto o nível real de crédito bancário para as empresas privadas caiu 53%. Ao mesmo tempo, a parcela do PIB do setor financeiro, que, no início da década de 70 era de 5%, pulou para 13% no começo dos anos 90. Isto é, o setor financeiro inchou, mas o volume de crédito privado diminuiu. A pesquisa explica porque isso ocorreu: "num esforço para financiar o déficit fiscal, o governo recorreu aos empréstimos. Sua dívida passou de 25% do passivo dos bancos em 1965 para 40% em 1987". A presença do Estado no sistema financeiro também é marcada, segundo o BIRD, pelo domínio de três bancos controlados pelo governo: o BB, a CEF e o BNDES. Juntos, eles são responsáveis por 40% dos créditos pendentes (O Globo).