O nome dele é trabalho. Acorda às 6h30, sai de casa pouco depois das 7h, chega no emprego às 8h, onde fica até pelos menos 18h. Quando cai a noite, o lavador de carros de uma concessionária em Benfica, subúrbio do Rio de Janeiro (capital), Aguinaldo do Carmo Macharetti, 30 anos, volta para casa: um barraco embaixo do viaduto na Leopoldina, onde mora com a mulher, Bianca, 35 anos, grávida de oito meses, e mais quatro filhos. Recebendo salário-mínimo por mês e com carteira assinada, Aguinaldo não tem condições de alugar um apartamento e muito menos comprar um lugar melhor para a família viver. "Gasto tudo com alimentação, não sobra nada. E nem dá pra comprar toda a comida que a gente precisa", conta. A família já mora embaixo do viaduto há três anos. Aos poucos, vai arrumando mais tábuas e construindo novos cômodos. Segundo dados coletados pela Fundação Leão XIII em 1991, 13% da população de rua é de assalariados formais, isto é, têm remuneração e carteira assinada, sem que isso lhes garanta um teto. Apenas 19% são indigentes, isto é, vivem de doações e esmolas, e 68% são trabalhadores informais ou biscateiros. Para o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, a situação mostra que os trabalhadores brasileiros são extremamente maltratados. Existem pelo menos 20 milhões de pessoas no país que trabalham e ainda
79851 assim não conseguem sobreviver dignamente. A grande questão é saber que
79851 Brasil queremos. Se um país que caiba todo mundo ou um país só para
79851 poucos, argumenta (O Dia).