FIÚZA FOI BENEFICIADO PELA CEF

O deputado federal Ricardo Fiúza (PFL-PE) foi beneficiado com um empréstimo da Caixa Econômica Federal (CEF) Inédito e escandaloso", que não previa qualquer cobrança de juros ou exigência de garantias do devedor. A informação foi dada ontem pelo diretor comercial da CEF, José Lindoso de Albuquerque Filho, em depoimento na Comissão Especial de Investigação (CEI), criada pelo governo para investigar a corrupção no Executivo. A operação irregular foi feita pela CEF, em maio de 1991, quando foi renegociada a dívida de cerca de US$3 milhões do empréstimo contraído pela Agroindustrial Jaçanã-- atual Usina Bititinga S/A-- que pertence ao deputado. É a primeira vez na história da CEF que se faz uma operação sem juros.
79850 Isso representa a prática do maior tráfico de influência já praticado
79850 dentro da CEF, afirmou o professor Cândido Mendes, integrante da Comissão que relatou o processo. O presidente da CEI e ministro da Administração Federal, Romildo Canhim, disse que vai entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), "farta documentação" para provar que Fiúza mendiu na defesa apresentada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara-- que acabou absolvendo o parlamentar. Segundo Canhim, o deputado utilizou indevidamente duas frases do documento enviado pela CEF, que atestava irregularidades na renegociação da dívida da empresa de Fiúza. Não se trata de fraude, mas de adulteração da verdade. Ele pegou a
79850 resposta enviada pelo diretor comercial da Caixa e pinçou aquilo que
79850 interessava à sua defesa, afirmou Canhim (O Globo).