Criadas pelo governo federal às vésperas da Rio-92, como estratégia de marketing ecológico internacional, quatro reservas extrativistas estão ameaçadas de serem extintas no dia 20 de maio, quando completam dois anos. As reservas Flexal, Mata Grande e Ciriago, no Maranhão, e Extremo Norte do Tocantins, em Augustinópolis (TO), podem caducar porque não tiveram sua regularização fundiária concluída em tempo hábil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). O mesmo IBAMA que criou as reservas extrativistas para mostrar ao mundo a
79846 preocupação do governo brasileiro com a preservação do meio ambiente na
79846 Rio-92, diz agora que essas reservas não são viáveis, protesta o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Atanagildo Matos, o Gatão. Ontem, os técnicos do IBAMA disseram ao presidente do CNS que as áreas destinadas às reservas extrativistas não são adequadas para a atividade a que se destinam. As quatro reservas ocupam 40 mil hectares e beneficiam 500 famílias, que vivem da extração do coco do babaçu, destinado à produção de óleo, sabão e detergentes. Na reserva Mata Grande, no Município de Imperatriz (MA), vivem comunidades negras, que há décadas sobrevivem do extrativismo do babaçu. "Se essa decisão prevalecer, centenas de famílias ficarão desempregadas por causa da insensibilidade das nossas autoridades ambientais", diz o presidente do CNS. "Sem as reservas extrativistas, os povos da floresta estarão condenados à fome e ao desemprego", conclui (JB).