ROMBO DE US$15 BILHÕES AMEAÇA O REAL

O equilíbrio das contas públicas-- um dos principais argumentos do governo para garantia do sucesso do plano econômico-- pode não se concretizar exatamente porque a equipe econômica não previu os impactos da estabilidade sobre o orçamento. Estudos feitos pelo economista Eduardo Felipe Ohana, ex-secretário adjunto do Ministério da Fazenda, e especialista em finanças públicas, mostram que o orçamento de 1994 não terá o superávit previsto de US$7 bilhões. Pelo contrário. A avaliação é de que o orçamento tenha um déficit próximo de US$15 bilhões. Várias são as razões apontadas pelo economista para o rombo nas contas públicas. A primeira é que com a estabilização haverá uma forte monetização da economia, isto é, as pessoas deixarão menos dinheiro aplicado pela baixa remuneração das aplicações, provocada pelo fenômeno do fim da ilusão monetária. Com isso, a receita de arrecadação de IOF e IPMF deve cair expressivamente, significando uma perda para os cofres do Tesouro de US$3,5 bilhões. Essa é a receita estimada com esses dois impostos até o final do ano. Outro fenômeno que preocupa Ohana é o impacto que uma queda brusca de inflação tem sobre o orçamento. É que a inflação alta, por mais contraditório que pareça, traz um ganho para as contas do Tesouro, o chamado ganho inflacionário. As despesas, em um cenário de inflação alta, são sempre menores do que o previsto. Isso porque, quando o governo vai pagar seus compromissos, parte da dívida já é "comida" pela inflação. Portanto, o governo tem menos a pagar em termos reais. É como se contrair uma dívida que será paga sem correção. Quanto maior a inflação, menor a dívida a ser paga (JB).