CREMERJ CASSA REGISTRO DE IMPLICADO EM TORTURA

O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) decidiu ontem, por unanimidade, cassar o registro profissional do subdiretor de Saúde do Exército, general-de-brigada Ricardo Agnese Fayad. A informação é do grupo Tortura Nunca Mais. O general foi punido por ter ferido a ética médica ao participar de sessões de tortura no antigo Doi-Codi nos anos 70. Testemunhas contaram ao Conselho que o oficial aplicava injeções em suas vítimas para reanimá-las durante os interrogatórios. O médico, segundo a presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, é o primeiro oficial da ativa a ser condenado por ter participado da repressão política. Em 1986, o Cremerj cassou pelo mesmo motivo o registro profissional do médico e tenente da reserva Amilcar Lobo, que também serviu no Doi-Codi. O Ministério do Exército contestou a cassação do registro do oficial. "O julgamento é inócuo, inoportuno e não tem amparo legal", disse o chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, coronel José Mauro Cupertino. A decisão, segundo ele, contraria o artigo 5o. da Lei 5.526 (5/11/68), que impede ações disciplinares dos Conselhos Regionais de Medicina contra médicos militares "no exercício de suas atividades técnico-profissionais impostas por sua condição de militar" (JC).