A negociação de uma Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA), proposta pelo Brasil em outubro do ano passado, provocou insegurança no Uruguai, um dos sócios menores do MERCOSUL, que teme perder para os demais parceiros da região acesso privilegiado ao mercado brasileiro. Na semana passada, o Uruguai se recusou a participar da reunião técnica em Montevidéu, sobre tarifa externa comum revelando insatisfação com a possibilidade de o Brasil vir a negociar a formação da ALCSA sozinho, se não obtiver apoio de seus sócios do MERCOSUL. O jornal uruguaio "El Observador", publicou em sua edição de ontem que a ausência do governo nas negociações sobre tarifa externa comum fora uma decisão tomada pelo ministro de Economia, Ignacio de Posadas, depois de consultar o presidente Luis Alberto Lacalle. Segundo o jornal, o governo uruguaio entende que o custo pago para alcançar a tarifa externa comum no MERCOSUL é "muito alto", bem como para permitir que posteriormente a ALCSA facilite o ingresso no Brasil de produtos de terceiros países que não arcaram com os mesmos custos. Preocupado com a reação, o governo brasileiro, por meio do embaixador José Arthur Denot Medeiros, esclareceu ao chanceler uruguaio, Sergio Abreu, no início desta semana, em Montevidéu, que o Brasil "quer levar adiante a ALCSA, mas em conjunto com o MERCOSUL, tomando em conta os interesses de nossos parceiros", comentou ontem o ministro interino das Relações Exteriores, Roberto Adbenur. "Não vamos fazer negociações em detrimento do MERCOSUL", acrescentou. Diplomatas brasileiros em Montevidéu também contataram as autoridades locais para esclarecer o ocorrido. A Embaixada do Uruguai em Brasília (DF) disse ter instruções superiores para não comentar o assunto. Para a Argentina, a formação da ALCSA "é importante e será instrumentada via MERCOSUL", observou uma fonte diplomática daquele país (GM).