INDÚSTRIA BATEU RECORDE DE PRODUTIVIDADE EM 1993

A indústria brasileira registrou, no ano passado, uma taxa de produtividade recorde em sua história: 18,33% em expansão na indústria em geral, ante 1992. Na indústria de transformação, a expansão fi de 18,78% ante uma taxa média de 4,5% entre os anos de 1976 e 1992. Esses dados, divulgados ontem pelo departamento econômico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informam que o processo de reestruturação da indústria do país está tornando-a mais competitiva, apesar de "ainda não ter chegado à fronteira do Primeiro Mundo", como observou Yolanda Ramalho, chefe do departamento econômico. A taxa "coreana" de produtividade, obtida em 1993, foi fruto de ajustes feitos pelas grandes empresas para se adaptar ao processo de abertura da economia e à recessão, a partir de 1990. O cálculo dessa taxa foi feito tendo por base o aumento da produção física das indústrias de maior porte em relação ao total de horas trabalhadas. Constatou-se um crescimento de 10,13% na produção da indústria de transformação ante uma queda de 6,4% nas horas trabalhadas. O emprego industrial caiu 1,7%. O cenário do aumento da produtividade foi, basicamente, o de redução de custos com base em menos horas trabalhadas e menos pessoal ocupado nas empresas, pois, como destacou Yolanda Ramalho, não houve investimentos produtivos alavancados a produtividade. Apesar da abertura comercial, explicou Yolanda Ramalho, "não houve sucateamento da indústria nacional". Ela admitiu que o aumento da produtividade gerou desemprego, mas para os que mantiveram seus postos, os salários pagos no ano passado cresceram em dólar 10,88% enquanto o custo unitário da mão-de-obra caiu 6,02% na indústria de transformação (GM).