AVANÇO DA AIDS PREOCUPA EMPRESAS

Representantes de 117 empresas públicas e privads pagaram US$500 para aprender a lidar com a AIDS entre seus funcionários. Foi o primeiro seminário internacional sobre o tema no Brasil, realizado em São Paulo (SP). A preocupação revela uma mudança de postura diante da doença. Mas o número das que estão preocupadas ainda é pequeno. Pelas estimativas do Ministério da Saúde-- que avalia em 500 mil o número de portadores do HIV no país--, um em cada 300 brasileiros estaria contaminado. Significa que, apenas no setor industrial paulista, mais de 1.500 empresas já têm pelo menos um portador do vírus entre seus empregados-- sem contar empresas prestadoras de serviço, comércio e serviço público. A Shell do Brasil, com 2.600 funcionários no país, tem sete casos de portadores e doentes confirmados. Desde 1988, a empresa vem adotando uma política na AIDS. A Autolatina ("holding" da Ford e Volkswagen), com 48 mil funcionários, tem 185 casos da doença. Michel Polity, médico da empresa, diz que os doentes são mantidos pelo próprio plano de saúde da Autolatina. A Caixa de Assistência dos 125 mil funcionários do Banco do Brasil vem arcando com as despesas hospitalares e de medicamentos dos 230 doentes da rede. Cada paciente custa entre US$15.000 e US$30.000. O médico Drauzio Varella, coordenador do seminário, disse que as empresas devem investir em prevenção para evitar os custos com a doença (FSP).