AIDS TENDE A CRESCER COM AGRESSÕES A HOMOSSEXUAIS

A violência contra homossexuais tem contribuído para aumentar a disseminação da AIDS no Brasil. Esse é um dos resultados de uma pesquisa inédita no país sobre as práticas sexuais de homo e bissexuais e a consciência da AIDS entre homens. "Tanto a violência verbal quanto a física faz com que aumente a internalização da homofobia", afirmou o coordenador dos estudos, o antropólogo Richard Parker, que também faz parte da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA). Isso significa que o homossexual quando sofre alguma agressão passa a ter mais preconceito com o seu comportamento sexual e não adota qualquer forma preventiva contra a doença. Dos 300 entrevistados no ano passado, 64% (192 homens) responderam que sofrem algum tipo de violência, seja dentro de casa envolvendo familiares, ou na rua. A polícia também é apontada como agressora, pois 8% (24 homens) disseram que foram extorquidos por policiais. A redução das atitudes de risco por causa da AIDS entre homo e bissexuais está também entre as conclusões da pesquisa. Das 300 pessoas que deram o seu depoimento, 72% adotam o uso de preservativos na relação com sexo anal, ou seja, 216 têm consciência do risco do contágio do HIV. A relação anal sem camisinha é considerada a mais arriscada, tanto entre homens, quanto entre homem e mulher. "De 1989 para cá, o número de pessoas com práticas homossexuais que usam camisinha aumentou e isso mostra o crescimento do grau de conscientização", afirmou Parker. Há quatro anos, 66,4%, ou seja, 334 dos 503 pesquisados, não concordariam em praticar a relação anal sem uso de preservativo. Além disso, em 1989, 51,3% (258 homens) discordavam de que o sexo anal com uso de camisinha evitasse a transmissão do HIV. A pesquisa também concluiu que de 1989 para cá os gays do país passaram a se organizar mais por causa da epidemia de AIDS. Hoje já existem várias associações de defesa dos homossexuais. O estudo está sendo realizado pelo Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com a parceria da ABIA e financiamento da Fundação Ford. A pesquisa faz parte de uma segunda etapa do estudo realizado em 1989 com 503 entrevistados. A idéia do projeto é comparar o resultado da primeira com a do ano passado para verificar se houve mudança de comportamento dos homossexuais nesses cinco anos (JC) (O ESP).