Diante da crise orçamentária e política do Estado brasileiro, o setor privado aparece como o principal protagonista para a sustentação de uma política de desenvolvimento científico e tecnológico para o país. Esta é uma das principais conclusões do estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob a coordenação de Luciano Coutinho, que está sendo apresentado nesta semana no "Seminário Internacional de Avaliação e Propostas para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico para o Brasil", na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo (SP). Para atrair os investimentos das empresas em C & T devem ser criados mecanismos que tornem a capacitação da indústria brasileira mais sistemática. Além da recente lei de incentivos fiscais, Coutinho destaca a necessidade de se utilizar o poder de compra do setor público para estimular os investimentos em pesquisa científica e tecnológica. Para ele, existem muitos setores, entre os 34 que foram estudados na sua pesquisa, que demonstram capacidade para sofisticar tecnologicamente seus produtos. Entre estes estão soja, papel, alumínio e avicultura avançada. Outra sugestão do estudo, que contou com US$1,6 milhão do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT)-- do Ministério da Ciência e Tecnologia--, é a de uma completa reforma da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), "que deveria ser transformada num banco de desenvolvimento, diversificando as linhas de financiamento para os setores de comercialização, difusão e também de apoio às empresas de base tecnológica. Os debates apontaram a necessidade de ocorrer uma descentralização da política tecnológica que sairia do âmbito federal e contaria com o comprometimento dos governos estaduais na criação dos pólos tecnológicos e também com a integração entre os setores industrial e agropecuário e os institutos de pesquisa. A questão tecnológica bate de frente com a da educação, afirmou Paulo Paixão, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio- Econômicos (DIEESE), para quem "qualquer avanço na política tecnológica tem de vir acompanhado de um projeto de educação de massa" (GM).