MAIS DINHEIRO NO PROGRAMA DE PRIVATIZAÇÃO

Sem alarde, o programa de privatização está mudando de ênfase, em favor de levantar mais dinheiro em "cash", com maior impacto fiscal de curto prazo. Em todo o governo Collor de Mello, a privatização rendeu US$3,5 milhões em dinheiro vivo. No governo Itamar Franco, especialmente neste ano, já rendeu US$445,7 milhões e este valor poderá ser multiplicado em algumas vezes até o final do ano. O valor poderá quase dobrar com a venda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), das sobras de ações da USIMINAS (privatizada em 1991), que renderão cerca de US$400 milhões. As sobras da COSIPA (privatizada no ano passado) serão vendidas em duas tranches, num valor estimado em US$90 milhões. Outro impacto enorme poderá acontecer se forem bem-sucedidas as privatizações da ESCELSA e da LIGHT. O valor patrimonial da ESCELSA é de US$500 milhões e o BNDES espera leiloar a empresa em julho. A LIGHT vale US$4 bilhões em valor patrimonial e cerca de US$3,2 bilhões em valor de mercado. O Fundo Social de Emergência (FSE), criado para ajudar a fechar as contas fiscais deste ano, prevê uma contribuição de US$931 milhões em vendas de ações das estatais pelo BNDES. Na prática, há condições de a contribuição fiscal das privatizações superar folgadamente essa meta. Até hoje, o programa de privatizações rendeu cerca de US$7 bilhões e permitiu o abatimento de outros cerca de US$3 bilhões em dívidas (GM).