Uma radiografia do MERCOSUL, feita por consultores privados, revelou a grande distância entre a realidade e a teoria no processo de integração sub-regional. O MERCOSUL real tem uma população menor que a do Brasil, mas um Produto Interno Bruto (PIB) per capita muito superior ao do conjunto dos quatro países envolvidos, segundo estudo da filial argentina da Deloitte & Touche e a Simonsen Associados do Brasil. As dificuldades dos governos em definir uma tarifa externa comum contrasta com os entendimentos entre as empresas e dos negócios em franca expansão desde 1991, quando se assinou o Tratado de Assunção. Os 250 empresários entrevistados definiram a Argentina como um país forte na produção agropecuária; o Brasil forte na indústria; o Paraguai como pouco competitivo e o Uruguai, como um competidor da Argentina. O mapa real do MERCOSUL, de acordo com o estudo, reduz a Argentina à região central e as grandes cidades: Buenos Aires, Rosario, Cordoba, Mendoza, Bahia Blanca e Neuquen. O contorno brasileiro que realmente se integrará aos países vizinhos do sul corresponde a um quarto do território oficial, em que estão Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Do Paraguai, só conta a metade oriental do país. Nesse contexto, a população total que participa realmente do MERCOSUL é de 110 milhões de habitantes e não os 200 milhões que correspondem à soma dos quatro países. Dessa forma o PIB per capita se eleva de US$2.064 para US$4.991. A análise do comércio entre os quatro Estados-membros indica que o crescimento do intercâmbio foi de 16% ao ano no período de 1987 a 1990. Mas observada a evolução a partir da assinatura do Tratado, esse índice se eleva a 34,7%. Em valores absolutos, o comércio interregional, que foi de US$2,688 bilhões em 1987, subiu para US$10,257 bilhões em 1993. Os autores do relatório deram atenção também aos contatos entre as empresas, principalmente de Argentina e Brasil que, juntos, representam 97% do mercado da região. Segundo o estudo, na Argentina, os produtores de bens de capital têm pavor da integração com o Brasil devido à concorrência, enquanto os fabricantes de alimentos e bebidas que já sobressaem no comércio bilateral terão possibilidades incríveis quando o Brasil se recuperar da crise econômica (JC).