Sem alarde, o Banco Central publicou no "Diário Oficial" da União seu resultado em 1993. O lucro foi de US$20,1 bilhões. O economista Rubens Cysne, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), tomou um susto. "É um volume de dinheiro que poderia bancar o orçamento de todas as universidades federais durante sete anos", diz ele. O lucro é alto, mas se situa na mesma proporção do chamado imposto inflacionário-- US$16 bilhões-- o dinheiro que o setor produtivo da economia transfere para os bancos por conta da inflação, calculada pelo próprio Cysne. Descontado este custo do lucro do BC, fica-se com um lucro verdadeiro de US$4 bilhões. Assim como todos os bancos comerciais lucram com os percentuais inflacionários, o BC também ganha. Em 1993, o lucro do BC correspondeu a 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, um índice muito acima da média de 1,4% deste início de década. E esta relação lucro do BC/PIB é tanto maior quanto mais alta a inflação anual. O problema é que este lucro deveria ser transferido para o Tesouro Nacional e usado na redução do endividamento do governo. Na prática, contudo, ele acaba servindo para fazer novas despesas (JB).