NEONAZISTAS BRASILEIROS JÁ MATARAM CINCO PESSOAS

O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) divulgará nos próximos dias um dado preocupante: neonazistas brasileiros foram responsáveis por pelo menos cinco homicídios e por 10 casos de agressão física nos últimos 19 meses. Os registros constam do segundo dossiê sobre o neonazismo, em fase final de preparação. No primeiro, publicado em outubro de 1992, o mesmo centro de pesquisas registrou apenas um caso de agressão praticado por "skinheads" de Santo André (SP), contra dois integrantes do movimento religioso judaico Chabat. Constatamos também a ocorrência de diversas ameaças por telefone e por
79745 carta, afirmou o pesquisador Tulio Kahn, um dos autores do dossiê. Ele argumentou que as violências físicas registradas no período ocorreram em encontros acidentais, enquanto as ameaças e as publicações revelam a existência de uma organização interessada em atacar alvos específicos, principalmente negros, judeus, homossexuais, nordestinos e "punks". Os atentados com vítimas fatais registrados no dossiê ocorreram no Estado de São Paulo e em Fortaleza (CE), onde há um ano cerca de 40 "skinheads" lincharam o estudante Jorge Miranda de Araújo, de 17 anos, que classificaram de travesti. Na mesma época, o menor M.C.S.F., de 16 anos, matou a golpe de coturno um menino em Ribeirão Preto, no interior paulista, argumentando que "estava limpando a cidade". Em Santo André, 3O skinheads espancaram até a morte o estudante negro Fábio Oliveira de Santos, de 16 anos. Uma briga entre facções do grupo "Carecas" na zona sul paulista terminou, em junho do ano passado, com a morte dos estudantes Fábio José Vicente, de 16 anos, e Fernando Yoshi Uenishi, de 20 anos. Única na América do Sul, a Delegacia Especializada em Crimes Raciais, da Polícia Civil paulista, está investigando a origem de uma ameaça dirigida ao Consulado de Israel. Pelo correio, a representação diplomática recebeu uma carta anunciando uma possível explosão de sua sede, caso "não fosse paga a conta do gás do holocausto". A mensagem é assinada pela "Fação V Reich" (O Globo).